Os Primeiros Anos

Em Atlanta, uma criança negra não podia ir a nenhum parque. Eu não pude frequentar as chamadas escolas para Brancos. Em muitas lojas da baixa da cidade, eu não podia entrar num restaurante para comer um hambúrguer. ou tomar um café. Não podia entrar entrar em nenhuma sala de espectáculos. Havia um ou dois cinemas para Negros, mas não passavam os grandes filmes. Quando os passavam, era com dois ou três anos de atraso.

Naquele tempo, havia nos autocarros normas rígidas de segregação, que obrigavam os Negros a sentar-se nos lugares da parte de trás. Os Brancos sentavam-se nos da frente, e mesmo quando não havia brancos no autocarro esses lugares continuavam reservados exclusivamente a Brancos, pelo que os Negros tinham de viajar de pé junto de lugares vazios. Eu acabava por ter de levar o corpo para a parte de trás, mas sempre que entrava num daqueles autocarros deixava o espírito nos bancos da frente. E dizia para os meus botões: “Um dia destes vou por o meu corpo onde tenho o espírito.”

CARSON, Clayborne. Eu tenho um sonho – A Autobiografia de Martin Luther King. Lisboa, 2006
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