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Prémio Nobel da Paz

“Não se tratava meramente do reconhecimento do papel de um homem no palco da História. Era um tributo à magnífica actuação do movimento pelos direitos civis e aos milhares de actores que tinham desempenhado excelentemente o seu papel. De facto, tinham sido essas “nobres” pessoas a ganhar o Prémio Nobel.

Cinquenta mil Negros de Montgomery, Alabama, que descobriram que mais vale andar a pé com dignidade do que andar de autocarro; os estudantes do país inteiro que, ao sentar-se no chão de cafetarias e lojas de comércio estavam de facto a erguer-se pelo autêntico Sonho Americano; os Viajantes da Liberdade que sabiam que este país não pode aspirar a conquistar o espaço exterior enquanto os corações dos seus cidadãos não tiverem conquistado a paz interior; Medgar Evers, assassinado; os três mártires do Mississippi, assassinados; os Americanos, de cor e brancos, que marcharam sobre Washington.

O Prémio Nobel da Paz veio dar uma nova dimensão à luta pelos direitos civis. Veio lembrar-nos de forma exuberante que a maré da opinião pública mundial corria a nosso favor. Apesar de a população de cor estar em minoria na América, há milhares de milhões de pessoas de cor que esperam dos Estados Unidos e da sua população negra a demonstração de que a cor não constitui um obstáculo ou um fardo no mundo moderno.

As nações do Norte da Europa tinham-se posto orgulhosamente ao lado da nossa luta e rejeitavam os mitos relacionados com a raça que subsistiam um pouco por todo o mundo. Era a promessa de uma vigorosa aliança internacional a favor da paz e da fraternidade no mundo. A Europa do Norte, a África e a América Latina davam mostras de querer enfrentar o problema do racismo no mundo. Era o ponto de partida para um mundo de paz. E os Negros também tinham de olhar para fora das suas fronteiras. A pobreza e a fome não eram nenhum exclusivo de Harlem e do Delta do Mississippi. A Índia, o México, o Congo e muitos outros países enfrentavam, no essencial, os mesmos problemas que nós.

Sugeri então que o prémio não seria atribuído apenas em reconhecimento de feitos passados, mas também como reconhecimento mais profundo de que a via da não-violência, a via do Negro americano, era a resposta à questão política e moral mais premente do nosso tempo: a necessidade que o homem tem de vencer a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão

A paz mundial por meios não-violentos não é absurda nem inatingível. Todos os outros métodos fracassaram. A não-violência é um bom ponto de partida, nós, que acreditamos neste método, podemos ser as vozes da razão, do bom senso e da compreensão no meio das vozes da violência, do ódio e da emoção. Podemos muito bem criar um clima de paz que permita a construção de um sistema de paz.

O Prémio Nobel da Paz deu-me uma fé ainda mais profunda de que o homem vai mesmo agarrar a oportunidade de dar um novo rumo a uma era que resvalava a passos largos para a ruína.”

Martin Luther King em “Eu tenho um sonho – A Autobiografia de Martin Luther King, Bizâncio, Lisboa, 2006

Sonhos que ficaram por realizar

A vida é uma história contínua de sonhos destruídos. O Mahatma Gandhi trabalhou anos e anos pela independência do seu povo. Mas Gandhi teve de encarar o facto de ser assassinado e morrer com o coração despedaçado, porque aquela nação que ele queria unir acabou por ser dividida entre Índia e Paquistão em consequência de uma guerra entre Hindus e Muçulmanos. Woodrow Wilson teve o sonho de fazer uma Liga de Nações, mas morreu antes de ver o seu sonho concretizado. O Apóstolo Paulo falou um dia no seu desejo de ir para Espanha. O maior sonho de Paulo era ir para Espanha, levar até lá o Evangelho. Paulo nunca chegou a Espanha. Acabou numa cela de prisão em Roma. É assim a vida.

“O sonho pode não se realizar, mas se tendes o desejo de o realizar, isso já é bom. É bom que o tenhais no vosso coração.”

Há anos que os homens falam de guerra e paz. mas não podem continuar a falar apenas delas. Já não se trata só de escolher entre violência e não-violência neste mundo; agora, a escolha é entre não-violência e não existência. É disso que se trata agora. E também na revolução pelos direitos humanos, se não se faz alguma coisa, e com urgência, para arrancar os povos de cor de todo o mundo aos longos anos de pobreza, aos longos anos de agressão e exclusão, o mundo inteiro está condenado.

Pois bem, não sei o que vai acontecer agora; temos pela frente dias difíceis. Mas isso para mim não tem importância, porque já cheguei ao cume da montanha. E não me importo. Como qualquer outra pessoa, gostava de ter uma vida longa – a longevidade é uma coisa boa. Mas agora não estou preocupado com isso. Só quero fazer o que for da vontade de Deus. E Ele permitiu-me subir ao cume da montanha. E eu olhei de lá de cima e vi a terra prometida. E estou feliz, esta noite. Não estou preocupado com nada. Não estou com medo de ninguém. Os meus olhos viram a glória da chegada do Senhor.

Imagino que todos nós, de vez em quando, pensamos com realismo no dia em que seremos vítimas daquilo que é o denominador comum final da vida – aquilo a que chamamos morte. Todos pensamos nela. E eu, de vez em quando, penso na minha morte, e penso no meu funeral. E não penso nisso num sentido mórbido. De vez em quando pergunto a mim mesmo: “o que é que gostavas que dissessem nessa ocasião?” E hoje vou dar-vos a resposta a essa pergunta:

Gostava que, nesse dia, alguém dissesse que Martin Luther King, Jr. tentou consagrar a sua vida ao serviço do próximo.

Gostava que, nesse dia, alguém dissesse que Martin Luther King Jr. tentou amar alguém.

Quero que digais, nesse dia, que eu tentei ser justo na questão da guerra.

Quero que possais dizer, nesse dia, que tentei de facto alimentar os famintos.

E quero que possais dizer, nesse dia, que tentei de facto, ao longo da minha vida, visitar os presos.

Quero que digais que tentei amar e servir a humanidade.

CARSON, Clayborne. Eu tenho um sonho – A Autobiografia de Martin Luther King. Lisboa, 2006

Nelson Mandela

The anti-apartheid activist

Nelson Mandela was born in Transkei, South Africa on July 18, 1918. He joined the African National Congress in 1944 and was engaged in resistance against the ruling National Party’s apartheid policies after 1948. He went on trial for treason in 1956-1961 and was acquitted in 1961.

After the banning of the ANC in 1960, Nelson Mandela argued for the setting up of a military wing within the ANC. In June 1961, the ANC executive considered his proposal on the use of violent tactics and agreed that those members who wished to involve themselves in Mandela’s campaign would not be stopped from doing so by the ANC.

Mandela was arrested in 1962 and sentenced to five years’ imprisonment with hard labour. On June 12, 1964, eight of the accused, including Mandela, were sentenced to life imprisonment.

From 1964 to 1982, he was incarcerated.

During his years in prison, Nelson Mandela’s reputation grew steadily. He was widely accepted as the most significant black leader in South Africa and became a potent symbol of resistance as the anti-apartheid movement gathered strength.

Apartheid was a system of racial segregation enforced by the National Party governments of South Africa between 1948 and 1994, under which the rights of the majority ‘non-white’ inhabitants of South Africa were curtailed and white supremacy and Afrikaner minority rule was maintained.

The government segregated education, medical care, beaches, and other public services, and provided black people with services inferior to those of white people.

As unrest spread and became more violent, state organizations responded with increasing repression and state-sponsored violence.

Nelson Mandela was released on February 11, 1990. After his release, he plunged himself wholeheartedly into his life’s work, striving to attain the goals he and others had set out almost four decades earlier.

Reforms to apartheid in the 1980s failed to quell the mounting opposition, and in 1990 President Frederik Willem Klerk began negotiations to end apartheid, culminating in multi-racial democratic elections in 1994, which were won by the African National Congress under Nelson Mandela.

 

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/1993/mandela.html